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segunda-feira, 26 de abril de 2010

e quando passar o efeito do que acalma?
como será daqui a 3 dias?
pra onde vou daqui a pouco?



quarta-feira, 17 de junho de 2009

A carta de amor

CARTA. A figura visa a dialética particular da carta de amor, ao mesmo tempo vazia (codificada) e expressiva (cheia de vontade de significar o desejo).

1. (...)
O que quer dizer "pensar em alguém"? Quer dizer: esquecê-lo (sem esquecimento a vida é impossível) e despertar freqüentemente desse esquecimento. (...) "Pensar em você" não quer dizer nada mais que essa metonímia. Porque, em si, esse pensamento é vazio: eu não te penso; simplesmente te faço voltar (na mesma proporção que te esqueço).

2. (...)
Mas, para o enamorado, a carta não tem valor tático: ela é puramente expressiva - para ser exato, elogiosa (mas o elogio aqui é desinteressado: é apenas a fala da devoção); o que estabeleço com o outro é uma relação, não uma correspondência: a relação liga duas imagens. (...)

3. Como desejo, a carta de amor espera sua resposta; ela impõe implicitamente ao outro responder, sem o que a imagem dele se altera, se torna outra.
(...)




Barthes, Roland - Fragmentos De Um Discurso Amoroso - Editora: Francisco Alves - 15ª edição - tradução: Hortênsia dos Santos.



terça-feira, 16 de junho de 2009

Elogio das lágrimas

CHORAR. Propensão particular do sujeito apaixonado a chorar: modos de aparição e função das lágrimas nesse sujeito.

1. (...)

Por que a "sensibilidade" se transformou em dado momento em "pieguice"? As imagens da virilidade se modificam; os gregos, as pessoas do século XVII choravam muito no teatro. Segundo Michelet, São Luís se lamentava por não ter recebido o dom das lágrimas; certa vez, tendo sentido as lágrimas lhe escorrerem docemente pelo rosto, "elas lhe pareceram tão saborosas e tão doces, não só ao coração mas à boca".
(Do mesmo modo: em 1199, um jovem monge pega a estrada para uma das abadias de Cisterciennes, no Brabant, para obter através de preces o dom das lágrimas.)

(...)

2. (...)
adapto minhas maneiras de chorar ao tipo de chantagem que pretendo exercer ao meu redor através das lágrimas.

3. Ao chorar, quero impressionar alguém, pressioná-lo ("Veja o que você faz de mim"). (...) as lágrimas são signos e não expressões. Através das minhas lágrimas, conto uma hintória, produzo um mito da dor, e a partir de então me acomodo: posso viver com ela, porque, ao chorar, me ofereço um interlocutor empático que recolhe a mais "verdadeira" das mensagens, a do meu corpo e não a da minha língua: "Que são as palavras? Uma lágrima diz muito mais".


Barthes, Roland - Fragmentos De Um Discurso Amoroso - Editora: Francisco Alves - 15ª edição - tradução: Hortênsia dos Santos.



segunda-feira, 20 de abril de 2009

discurso para o fim da paixão amorosa

"Com o tempo você vai percebendo que para ser feliz com outra pessoa: Você precisa, em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe tambem que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que nao quer nada com você, definitivamente, não é a pessoa da sua vida. Você aprende a gostar de você, a cuidar de você e, principalmente, a gostar de alguém que também gosta de você. O segredo é não correr atrás das borboletas. . . é cuidar do jardim para que elas venham até você. No final das contas, você vai achar, não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!"
(Mário Quintana)



Tenha o outro (ou aquele a quem você chama de amor, esse “eu amado”) do jeito que se pode ter, sem categorizar aquilo que ultrapassa a percepção sensível. Claro que isso não impede a problematização da coisa.

Duas pessoas, reflexão individual. Não cabe ao “eu” querer saber se o ser amado o ama ou como o ama; não interessa a nenhuma das partes a interpretação do que não foi dito.

Experência real e concreta; comunhão num tempo e espaço atual. Havendo responsabilidade sobre si mesmo e pelo outro, projetar um futuro que seja um rascunho de soluções para as questões práticas (essas, muitas vezes, repetições de situações já experimentadas no passado).



sexta-feira, 10 de abril de 2009

estrangeiro

ele me mandou uma mensagem:
que língua é falada no brasil?

respondi:
português.

ele:
me ensina português?

Mesmo sem saber como, disse que sim. Fiquei fora do eixo, emocionado com o pedido.



* depois volto para desenvolver um texto.

sábado, 21 de março de 2009

lugar comum

Qual motivo para achar a vida injusta? Pensar assim é enxergá-la a partir de um ponto de vista, quando outras possibilidades são sempre apresentadas e possíveis. É sempre importante olhar para o outro lado, atitude que não depende de idade ou gênero. Quando sentir-se cego, buscar outras formas de ver.


raso

qual atalho, uma curva pro caminho do sossego - mas no fundo é raso; água bate no joelho nada - não é nada nunca foi tão fácil contud...