sexta-feira, 28 de junho de 2019

quase quase
o vento leva
no sopro
o risco

a folha sem vida
risca

sábado, 15 de junho de 2019

a vida arde

cabe a cada um
               dançar no seu
compasso

sábado, 1 de junho de 2019

kintsugi

a mor é
es
                     ti            lha
ço
caquinho que a gente vai
catando no caminho

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

iluminação


pela primeira vez olhou para o sol. caminhando, perdido, vagando sem um destino preciso. naquele momento, seu corpo entregue a uma silenciosa perturbação, contemplava o disco solar, e, como que diante de uma força superior, rogou por um milagre. num instante, que poderia ter sido uma eternidade, lembrou do alimento milagroso que o povo israelita recebera de javé enquanto peregrinava rumo a terra prometida. há dias em solidão e silêncio. há algumas horas em solidão e silêncio. 40 dias perdido - não existe noite pra quem caminha pelo deserto. sabia-se apenas ali, naquele momento, entregando-se a insolação, o corpo inerte na areia, olhos abertos em miração. pela primeira vez olhou para o sol e rogou por um milagre. o maná do deserto. “Eloi, Eloi lamá sabactani? Aceito a morte, se assim tiver que ser, mas pra ti que tudo é possível, imploro por um milagre! Genetheto to théléma sou.” contemplou a luz e o calor. por entre suas pernas surgiu um escorpião. via sem ver. sentiu o  toque do ferrão do animal peçonhento em seu corpo. uma tempestade de areia modificou o cenário. o homem deitado no chão do deserto. o corpo inerte, olhos abertos, vazios. anos se passaram. o homem, o homem, sua pele morta, os olhos vazados. a terra engolia em sucessivas ventanias, o corpo inerte, maculado pelo tempo. o couro curtido, a pele vazia. a areia do deserto.



sexta-feira, 8 de agosto de 2014

iluminação

desse gosto que não se prova com a língua
experimentamos no corpo sutil o sabor da beleza

para fazer o que se almeja
sem a ninguém prejudicar
evoluir nas águas doces dos mistérios sagrados

nenhum sentido é capaz
de tocar as mãos dos deuses

segunda-feira, 28 de abril de 2014

iluminação

meu corpo se contorce
range que nem cipó
entrelaçado ao corpo
da jibóia que rompe a
dura casca da fruta
espalhando as sementes
numa noite de chuva

Contra os opressores,  rosas.
Que o espinho rasgue a pele e
que a beleza da flor
vermelha seja a cura.

quinta-feira, 6 de março de 2014

iluminação

na festa dos corpos
o espírito resplandecia
feito estrelas
uma luz ancestral
trazendo sabedoria
cobrindo de flores o chão do mistério
06/03/2014

Iluminação

a mãe velha deitada
eternamente grávida
do cristal iluminado
montanha, rocha, pedra
abrigo para os que dançam
em liberdade
a plenitude

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

preto pobre periférico

morro do juramento
são seis suspeitos mortos
disse: suspeitos mortos
negros, mulatos, negros
disse: suspeitos mortos

caixa de sapato