você perdeu a graça.
coisas que até quando não ditas e que ficam claras
através de toques, beijos e olhares;
entre tantos, saber que esteve por tantos cantos.
o pouco do mistério que ainda existia,
esvaiu-se no gozo da noite passada.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Mistérios Gozosos
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
terça-feira, 5 de janeiro de 2010
10
Lá está o barco. Eu cá. Espero. Cheiro de maresia, tempo virando; é chuva. Chuva pra madrugada. E eu cá, esperando. Sempre deixei claro que não poderia, não deveria, mas quis e fez e eu nada, sem contradizer. Vejo o barco se aventurar entre ondas e gaivotas, o vento ficando mais forte e me deixo. Bichinhos brincam entre os meus dedos dos pés e eu deixo e sorrio, fazem cócegas. Daqui a pouco o mar começará a me puxar e eu não serei mais para mim. Meus cabelos cansados largam-se e dançam ao som. Nuvem cinza distante, chuva no canto do lá, alto-mar, quase oceano. E ele navega em seu barquinho, vai, nada. Ficarei por aqui, debaixo d'água, onde minhas lágrimas confundem-se. Cavalo-marinho passeia pelas veias do meu corpo, alegre. Estrela-do-mar, estrela que caiu do céu e deu n'água salgada; enfeite-me, embeleze-me, faça-me dele, daquele que vai. Barco sem vela, barco a motor, barulhinho ritmado, música em harmonia com o galope do barco a cortar a correnteza. Volta, volte, vem. Alga, alga; sempre gostei da palavra algo. Abro a minha boca para entrar, vem. Deito e vou e venho e vou e venho. Areia branca novamente. A maré me deixou, me deitou na beira. Água do céu molha meu corpo. E eu pensando nele que ainda não chegou. Percorri todo o futuro por aqui, longe é um lugar que não existe. Estou. Fico. Espero. Concha.





