estava tentando sair sem ser incomodado, quando a síndica me chamou:
--- você escutou alguma coisa durante a madrugada?
não sabia o que ela queria ouvir, fiquei por um breve tempo sem resposta, pensando no que responder. disse que não, apenas o barulho do piso de metal utiliado pela empresa de gás para tapar os buracos que realizam no asfalto.
--- até parece tiro. - ressaltei sorrindo.
foi então que ela me revelou que o prédio havia sido assaltado às 3:30 da manhã:
--- fizeram a limpa no 306. foi logo depois que o casal foi para a cama, parece que o marido ronca muito alto, por isso que não escutaram e nem viram nada. a menina só foi perceber que tinha acontecido alguma coisa quando estava saindo para o trabalho, foi pegar o notebook e o celular, não encontrou os objetos. ligou para a polícia na hora, eles vieram aqui, fizeram várias perguntas e disseram que voltariam para realizar a perícia. acharam uma luva de boxe...
--- deve ser para quebrar o vidro da janela. - interrompi.
--- ficamos sabendo agora há pouco que a academia aqui do lado também foi assaltada.
esbocei uma conclusão:
--- quer dizer então que o ladrão entrou pela frente, pela academia...
--- sim. da academia ele subiu no terraço daqui, arrombou a porta e entrou no 306. provavelmente a porta não estava trancada. tenho até que pedir para o meu marido mandar vir alguém para consertar a minha porta, imagina se esse bandido vem para o segundo andar! tão dizendo, olha não tenho preconceito nenhum, é só o que estão dizendo, que foi um crioulo alto e magro. tem outras histórias de assaltos nas ruas de trás.
peguei meu celular novo para verificar a hora, já estava atrasado. pedi licença, tinha que ir. ao passar pela portaria esbarrei num policial que segurava uma maleta prateada, "deve ser para tirar as impressões digitais" falei pra dentro. ele me olhou, nos observamos por uns 5 segundos, desviei a atenção para guardar a chave na mochila, nos encaramos mais uma vez; senti o quanto que a minha bolsa estava pesada.