quarta-feira, 28 de julho de 2010

glória - 7

marcelo estava agachado preparando a ração do felino quando o seu celular vibrou, esticou a perna direita e retirou do bolso traseiro o aparelho móvel – não costumava receber ligações e esquecera o aparelho no modo silencioso. assustado e sem olhar o identificador, atendeu:
marcelo, sou eu, glória. estou aqui na fila da padaria. depois que já estava na rua percebi o quanto fui indelicada com a sua mãe, sei lá... sai assim de repente, logo quando ela chegou. fiquei com medo dela achar que eu não queria conversar, não sei...
menina, mamãe não comentou nada a respeito. eu queria era ter ficado mais tempo sozinho com você, gosto do nosso silêncio. – marcelo pode escutar a atendente da padaria chamando o próximo cliente.
depois te ligo, vamos combinar alguma coisa? beijo. – glória não esperou a resposta, apertou o botão vermelho do seu aparelho e guardou-o dentro do bolso lateral direito.

sábado, 24 de julho de 2010

glória - 6

o tilintar das chaves na porta de entrada interrompeu a conversa. noely adentrou a sala: marcelo meu filho, esqueci o ordinário da missa. glória, desculpa a correria. queria pegar pelo menos o evangelho, mas cheguei atrasada e voltei para casa. hoje ficarei sem missa.
mãe, a glória veio aqui tirar umas dúvidas com a senhora sobre pragas de samambaias.
na verdade, dona noely, eu não sei bem se são pragas... as folhas... as folhas estão com uns pontinhos marrons na parte inferior como se fossem manchas, sabe?! lembro de ter estudado isso na sexta série, mas fiquei preocupada...
não tem com que se preocupar. esses pontinhos marrons são soros; sua samambaia está se reproduzindo.
por mais inocentes que tenham sido as palavras de noely, glória escutou o diagnóstico como se fosse algum tipo de indireta. um tanto constrangida, deu um último gole em seu café colocando em seguida a xícara dentro da pia. despediu-se dos dois dizendo estar mais aliviada e feliz. foi até o cabide e pegou o seu acessório:ah! adorei matar a saudade de vocês, de tomar o café na cozinha. voltarei quando tiver mais tempo. combinei com mamãe que levaria os pães e até agora não apareci em casa e nem dei sinal de vida; no caminho ligarei do meu celular para ela. – enquanto falava, balançava o cachecol para clóvis que tentava agarrá-lo com as patas dianteiras.


sexta-feira, 11 de junho de 2010

sê de

.tô meio hoje.




quarta-feira, 9 de junho de 2010

ebulição

.o que se perde quando evapora.


sexta-feira, 30 de abril de 2010

janela fechada

a chuva lá fora só piora a tristeza;
escorre as lágrimas pelas ruas,
alaga a cidade inteira.


quarta-feira, 28 de abril de 2010

prumo

Camisa listrada pendurada no varal.
Bolso vazio no peito esquerdo;
camisa de adulto.
Mesmo ainda não cabendo no menino,
deverá vesti-la
cuidando para que caia bem em seu corpo franzino.




segunda-feira, 26 de abril de 2010

e quando passar o efeito do que acalma?

como será daqui a 3 dias?
pra onde vou daqui a pouco?



domingo, 18 de abril de 2010

tsunami

(letra: Rafael Rodrigues / música: Cesar Lacerda e Rafael)



*Interpretação: Cesar Lacerda.
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praguejo seu nome pelas esquinas da sala;
quintas de inverno em pleno verão.

terremotos que alteram o eixo da Terra -
dos dias, encurtando a duração.

discos, livros; espelhos partidos.
o que ainda resta de felicidade; arrebentação.

seu sorriso largo;
onde amarro o barco contra as ondas da paixão?


segunda-feira, 15 de março de 2010

maracanã - chuva e futebol

marchando sobre poças
chuva pesada contra luz marcada
o coro gritando
assustadora beleza
palavras de raios e trovões.




segunda-feira, 8 de março de 2010

cor

verbo-luz no infinitivo
flexionado quando na retina