sexta-feira, 13 de julho de 2012
tropeço (Francisco Novaes e Silva)
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Vânia
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
sobre as feras que habitam qualquer lugar
O homem a guiar é o barco sendo guiado, ambos uma extensão sem meio, começo ou fim; cada madeira, cada unha, prego, pelo ou parafuso.
Algemar a imaginação, essa voz que cisma de tagarelar cá dentro, em qualquer tronco, toco ou pedra e lançar fundo ao afogamento do silêncio absoluto.
A pintura simples, exata em sua forma simples, profunda e complexa como um deus, como a escrita mal escrita e manchada - necessária e tardia.
sexta-feira, 22 de julho de 2011
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quinta-feira, 21 de julho de 2011
cá (Yara Lopes dos Santos)
continuemos no caminho, por favor
pela estrada, toda poeira, o chão, a terra
o rumo seco da palavra sem saliva
nada salva, o chão, a terra
limpando o suor
a vista ainda distante
o horizonte que ainda longe
e nem visto de cá perto
terça-feira, 17 de maio de 2011
Vigia Noturno (Francisco Novaes e Silva)
sexta-feira, 22 de abril de 2011
repouso (Yara Lopes dos Santos)
terça-feira, 19 de abril de 2011
desvelamento (Yara Lopes dos Santos)
segunda-feira, 18 de abril de 2011
sobre o amor
sábado, 16 de abril de 2011
Sonata ao Luar
Não há porque abrir a carta. Adianto: não há motivo algum para violar o envelope; nada ainda foi escrito, seu conteúdo permanece inexistente no papel que ainda receberá o desenho à lápis em letras finas e perfeitamente elaboradas; por enquanto permanece assim como escrevo. Fora emitida antes que as palavras fossem pensadas e tingissem a superfície lisa que permanece intacta das lágrimas que a enrugará com esperanças de um imediato retorno.
Através de um velho toca discos, a música arranhada bordando a Lua Minguante que se levanta por detrás da montanha. O papel em branco com as linhas vazias, presa numa das mãos dela que olha através da janela, enquanto as cortinas dançam na brisa leve de um pôr do sol de outono.
Ela permanecerá na moldura da casa - não comerá, não dormirá, não defecará e outros nãos -, de pé, permanecerá na moldura da casa. Como se adquirisse asas o papel voará para longe e ela permanecerá com os cotovelos apoiados na janela, uma das mãos aparando o queixo e a outra meio que caida para fora refletindo a brancura do papel que ali já não encontra mais clausura.
Suave tema principal: a exposição reverberando ad infinitum uma sonata para piano em dó sustenido menor alisando com as unhas um piano adornado por um vaso de flores, piano armário, sem a opulência de um piano de caldas - tão vaidoso quanto: sobressaindo um retrato em preto e branco sobre o qual descrevem-se dois sorrisos e as flores roxas do vaso que se apoia na deselegância do seu porte vertical. O teclado fechado, suas cordas numa tensão constante, o martelo parado.
A luz prateada e quase azul preenche a expressão do rosto da moça, tem a boca curvada para baixo e os cotovelos apoiados no quadro da casa.
As letras tomam os seus lugares dentro do envelope, anseiam um final feliz.