Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

e-mail para senadores

Abaixo, um modelo:

Senador,

É como eleitora e brasileira que venho até V. Exa. requerer que se façam todos os esforços para o imediato afastamento do senador José Sarney, bem como seu julgamento pela comissão de ética, face às notícias de malversação do dinheiro e uso da máquina pública em proveito próprio.

Vivemos em um país onde diariamente se rasga a Constituição Federal, obviamente, sempre em proveito dos mais poderosos.
Se quisermos, efetivamente, sermos uma democracia, deve dar-se tratamento igual aos desiguais e não há ninguém nesse País que deva ter mais consideração em suas mazelas em relação ao menos afortunado. Somos ou não todos iguais?

Por muito menos um pai de família amarga longos períodos em prisões fétidas e insalubres, por cometimento de furtos famélicos.

Porque então, julgar o Sr. José Sarney mais brasileiro que nós, outros?

É de rigor que se apure a fundo as denúncias, afastando eventuais "pizzas" e punindo, como se pune qualquer brasileiro que infrinja as leis vigentes e a Constiuição Federal de forma tão clara como parece ser o caso.

Esperamos que V. Exa., como nosso representante tome as providências cabíveis e entre para a história como homem honrado e não como mero coadjuvante da história.

Atenciosamente(?),

Sarney: sarney@senador.gov.br
Senadores: e-mails aqui
Na quarta-feira no intervalo das 15h às 16h horas, você que tem um blog, site, Twitter, celular, etc, deverá estampar um “banner” ou selo com a mensagem “#forasarney” e enviar o máximo de mensagens ao Senado.

Reaja Brasil!

Sábado, 11 de Julho de 2009

é bom demais ter sono e não querer dormir; acabar dormindo sem querer, sem saber que dormiu.



Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

condução

dormimos juntos no outro dia.

ele disse que foi bom me conhecer. repeti as mesmas palavras com um sorriso e dei um beijo em sua boca.

cheguei feliz em casa.

pedi desculpas pelo barulho, acarinhou meu rosto, fiz cafuné em seus cabelos. levantou e me ofereceu iogurte de mel com alguma outra coisa que não sei o quê; era delicioso.

tentei dormir, tinha que acordar cedo nesse mesmo dia - quando vou para cama de madrugada perco a noção do ontem, do hoje e do amanhã.

havia muita gente, muitos braços para o alto e solos de guitarra. no momento as palavras fugiram, fiquei ali parado escutando o eco, a mesma interrogação ad infinitum, 10 segundos.

nesse mesmo dia, à noite, nos encontramos.

esperou comigo o meu ônibus. demorou. peguei o primeiro que passou e segui para o centro da cidade para então pegar uma outra condução.

ele. ele. ele.

no dia seguinte nos falamos pelo telefone. assistimos um espetáculo. depois fui para casa dele.

galo cantando; despertador do celular. cômodo estranho, 3 segundos, não era a minha casa; o quarto dele.



Sábado, 4 de Julho de 2009

breathless #8 - in memorian do Zé

(Por não ter a capacidade de fazer uma homenagem mais bonita, por até hoje não assimilar o acontecido; uso as palavras da Joana Xênia.)


Dia estranho de não conseguir fazer dizer nada de olhar para um lado olhar para o outro e ter a certeza de que falta algo mas que de certa forma tudo parece impregnado por esse mesmo algo que falta que falta todos os livros na estante todos tantos quando foi mesmo que comecei a querê-los a amá-los não lembro bem dentro de um deles encontrei um calendário hoje é dia 4 de julho quatro de julho quatro de julho mas o que tem isso independência dos Estados Unidos mas e daí e daí não é isso não é isso que quero lembrar hoje dia quatro de julho exatamente hoje faz 7 anos que não ouço a sua voz embora ela permaneça na minha memória tenho boa memória mas hoje me deu medo medo dela sua voz se perder aqui dentro algum dia mas logo passo passou esse medo sua voz não vai se calar nunca aqui dentro da minha cabeça 7 anos 7 anos tanto tempo e lembro do seu sorriso daquela conversa aquela ultima conversa no ponto do ônibus aquele sorriso não vou esquecer e que venham mais 7 anos me desafiar com seus esquecimentos é estranho estranho eu lembrar das suas mãos lembrar do seu cheiro trago muito de você comigo todas as horas que até me assusto roubei seu jeito de pensar roubei outras coisas acho que foi o melhor jeito que encontrei para te manter vivo no mundo faz tempo tanto tempo hoje eu chorei de saudade uma saudade que não cabe nessa palavra saudade e quis te tocar te contar tantas coisas tantas coisas que você não viu e que eram para ser suas tanto quanto minhas tive saudade dos nossos filhos de papel das nossas brigas das nossas pazes dos nossos silêncios te imaginei entrando por essa porta sem entender nada me imaginei te contando tudo cada detalhe de tudo que aconteceu nesse tempo e você com aquele seu ar de quem no fundo sabe me perguntei como seria agora esse agora se tudo tivesse sido diferente que outros caminhos teríamos escolhido e dormi e sonhei com você vivo com seu tênis vermelho vivo me dizendo coisas que não direi a ninguém será segredo nosso mais um de tantos quando falo de você para alguém tento fazer um desenho de como você foi mas não sei não sei por mais que me esforce tenho a impressão que as pessoas que não te conheceram não entendem não entendem assim como eu gostaria mas enfim acho que quem me gosta mesmo sem saber gosta de você você que me mostrou o caminho para aprender a ser quero dizer obrigada e sei que você riria de mim mas digo mesmo assim e saberias o quero dizer com essa palavra de 8 letras hoje quis escrever-te isso quis aqui e assim sem me preocupar muito se sairia como um verso de pé quebrado queria te dizer que aqui aqui dentro de mim tem muito de você e ainda resta muito a dizer....



Terça-feira, 23 de Junho de 2009

glória - 5

como se tirassem canções de realejos, os dois mexiam as colheres em suas respectivas xícaras; adocicavam a bebida, glória provou um pouco. com a mão esquerda afastou os cabelos que tocavam os lábios: lembrei de uma coisa. sua avó uma vez me falou que a gente só se apaixona para valer uma única vez, aquela paixão mesmo, aquela coisa avassaladora... na época eu vivia grudada contigo e todo mundo achava que tínhamos alguma coisa; tínhamos mesmo, mas nunca falamos para ninguém, tampouco assumimos para nós mesmos. achávamos que era um segredo, mas todo mundo sabia. confesso que sempre rememoro aquela conversa com sua avó. quase todo dia ela vem a mim, principalmente quando estou de frente para o espelho penteando os cabelos, ela vem e repete tudo com as mesmas palavras. você foi o meu primeiro, tenho medo de que os outros tenham sido uma procura, uma vontade de te achar neles.
é, glória, nada melhor do que um café quentinho bem passado e forte para esquentar a memória. estou gostando de te ouvir. e, realmente, hoje você tá que tá. - marcelo, que estava de pé, pegou o banquinho que segurava a porta de serviço, posicionou ao lado de glória e sentou.




Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

glória - 4

terminada a arrumação e recuperada da irritação alérgica, glória dirigiu-se à cozinha. observou cada detalhe do local: tudo igualzinho, entro aqui e me sinto a mesma de dez anos atrás. nenhuma mancha de gordura pelas paredes, os mesmos móveis e aparelhos... sua mãe sempre tão cuidadosa. engraçado. consigo me ver sentada naquele banquinho e você de pé abrindo a embalagem da goiabada. enquanto falo, escuto nossas risadas juvenis.
parece até que você não pinta por aqui há um bom tempo.
sim, parece. como estou, a maneira como percebo esse agora, parece mesmo. fui invadida por um saudosismo. tenho medo de que isso seja o murmúrio de alguma coisa.
glória, sem superstições. - marcelo posicionou as duas xícaras de porcelana sobre a pia, ao lado da cafeteira, juntamente com o açúcar e o adoçante.
o aparelho soltou um ruído; a água havia passado e se transformado. o cheiro de café adentrou as narinas dos dois jovens. olharam-se.


Domingo, 21 de Junho de 2009

glória - 3

mamãe não vai demorar muito, foi à missa; daqui a pouco estará de volta. me dê o cachecol! quer um café?
sim, se você me acompanhar; não quero incomodar.
marcelo pendurou o cachecol no cabide próximo a porta de entrada.
clóvis, que já estava perambulando pela sala, avistou o tecido fino e preto a balançar, preparou o ataque e saltou. o cabide foi ao chão, o felino fugiu saltitante, subindo os degraus da escada.
distraída, observando a pinturas florais penduradas pelas paredes, glória assustou-se; levando a mão direita ao seio esquerdo: marcelo!
esse, do portal da cozinha: o que foi?
o clóvis fez uma bagunça danada aqui. vou arrumar, pode continuar com o café. - glória agachou para pegar os agasalhos, chapéus e o seu acessório. deu 13 espirros seguidos.



Sábado, 20 de Junho de 2009

glória - 2

vou te dizer, não sei diferenciar um xale de um cachecol... - glória voltou-se em direção a voz e mirou a boca de marcelo que ainda estava a terminar a deixa: não entendo mesmo. mirou os olhos castanhos do rapaz e disse: eu, eu estava regando a minha samambaia quando vi uns pontinhos estranhos entre as folhas, deve ser praga, pensei, praga de samambaias. lembrei que sua mãe coleciona samambaias e vim aqui buscar uma solução, um conselho. ela saiu e acabei esquecendo de interrogá-la quanto a isso. ah! o cachecol. estava já na rua, perdida em tons pasteis, sentindo a revelação do outono, quando uma brisa fria soprou em minhas bochechas obrigando-me a retornar e pegar o cachecol.





Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

glória - 1

calou. de olhos fechados, contou até três. voltou a caminhar. seu coração batia próximo aos ouvidos. não corria, caminhava calmamente.
tenho que falar!
tocou a campanhia. escutou uma voz fina perguntando quem era. após a resposta, o grito: marcelo, é a glória. uma senhora abriu a porta e autorizou a entrada, com um largo sorriso: estou de saida. ele já vem. fique a vontade.
sentada num sofá, glória ficou a esperar. depois de uns três segundos escutou pés pelos degraus. respirou fundo sentindo todo olor abafado daquela casa e espirrou, era alérgica a pelos. com o barulho, clóvis se espreguiçou, saltou da mesa de jantar e dirigiu-se a cozinha. no caminho, pode ser acariciado por marcelo que já estava atrás do sofá. glória, sentindo a presença do rapaz, esboçou um tímido sorriso.




Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

A carta de amor

CARTA. A figura visa a dialética particular da carta de amor, ao mesmo tempo vazia (codificada) e expressiva (cheia de vontade de significar o desejo).

1. (...)
O que quer dizer "pensar em alguém"? Quer dizer: esquecê-lo (sem esquecimento a vida é impossível) e despertar freqüentemente desse esquecimento. (...) "Pensar em você" não quer dizer nada mais que essa metonímia. Porque, em si, esse pensamento é vazio: eu não te penso; simplesmente te faço voltar (na mesma proporção que te esqueço).

2. (...)
Mas, para o enamorado, a carta não tem valor tático: ela é puramente expressiva - para ser exato, elogiosa (mas o elogio aqui é desinteressado: é apenas a fala da devoção); o que estabeleço com o outro é uma relação, não uma correspondência: a relação liga duas imagens. (...)

3. Como desejo, a carta de amor espera sua resposta; ela impõe implicitamente ao outro responder, sem o que a imagem dele se altera, se torna outra.
(...)




Barthes, Roland - Fragmentos De Um Discurso Amoroso - Editora: Francisco Alves - 15ª edição - tradução: Hortênsia dos Santos.