É preciso habitar a solidão -
ver o relevo das crises sanadas;
fundo escavar na razão as camadas,
volvendo toda a poeira do chão.
É preciso habitar a solidão -
banhar-se nas águas do mesmo rio;
sentir toda a resistência do frio,
cortando com meus pés o turbilhão.
Pode então esse amor tornar-se vão
quando não só a ferro e fogo queima?
Contudo, pode contra tudo e teima
só sendo, encantamento e construção.
2 comentários:
O nosso amor é um banho de rio
que, caudaloso, beija os pés da gente.
Gargalos, sumidouros e correntes
passam distantes das águas que guio.
Controlo o fluxo que já nos acolhe,
amanso do rio a força no leito.
Sou um corixo lento que em sede escolhe
que água engole pro fundo do peito.
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Rafa, não há pedras com limo pra tropeçar, nem vagas pra se perder. Só uma água cristalina pra gente deixar nos beber.
lindo teu poema, como todas as suas letras. É um passaporte pra imagens vivas.
'só não me venha mais com amor...'
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