segunda-feira, 18 de abril de 2011

sobre o amor

É preciso habitar a solidão -
ver o relevo das crises sanadas;
fundo escavar na razão as camadas,
volvendo toda a poeira do chão.

É preciso habitar a solidão -
banhar-se nas águas do mesmo rio;
sentir toda a resistência do frio,
cortando com meus pés o turbilhão.

Pode então esse amor tornar-se vão
quando não só a ferro e fogo queima?
Contudo, pode contra tudo e teima
só sendo, encantamento e construção.


2 comentários:

asth disse...

O nosso amor é um banho de rio
que, caudaloso, beija os pés da gente.
Gargalos, sumidouros e correntes
passam distantes das águas que guio.

Controlo o fluxo que já nos acolhe,
amanso do rio a força no leito.
Sou um corixo lento que em sede escolhe
que água engole pro fundo do peito.


-

Rafa, não há pedras com limo pra tropeçar, nem vagas pra se perder. Só uma água cristalina pra gente deixar nos beber.

lindo teu poema, como todas as suas letras. É um passaporte pra imagens vivas.

Passarinho disse...

'só não me venha mais com amor...'

caixa de sapato