sexta-feira, 21 de agosto de 2015
iluminação
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Vânia
terça-feira, 14 de setembro de 2010
em delírio - V
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
em delírio - IV
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
em delírio - III
domingo, 5 de setembro de 2010
ruínas do convento
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
em delírio - I
quarta-feira, 28 de julho de 2010
glória - 7
sábado, 24 de julho de 2010
glória - 6
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
alice na toca do coelho
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
delicate
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
alice na toca do coelho - #8
esse outro é um abismo tão grande - não tenho medo e me jogo; ainda estou caindo. enquanto caio, canto. choro, rio - como sou infeliz.
talvez a felicidade não seja para hoje.
ela arfa, eu suspiro.
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
casa bonita
quarta-feira, 8 de julho de 2009
condução
ele disse que foi bom me conhecer. repeti as mesmas palavras com um sorriso e dei um beijo em sua boca.
cheguei feliz em casa.
pedi desculpas pelo barulho, acarinhou meu rosto, fiz cafuné em seus cabelos. levantou e me ofereceu iogurte de mel com alguma outra coisa que não sei o quê; era delicioso.
tentei dormir, tinha que acordar cedo nesse mesmo dia - quando vou para cama de madrugada perco a noção do ontem, do hoje e do amanhã.
havia muita gente, muitos braços para o alto e solos de guitarra. no momento as palavras fugiram, fiquei ali parado escutando o eco, a mesma interrogação ad infinitum, 10 segundos.
nesse mesmo dia, à noite, nos encontramos.
esperou comigo o meu ônibus. demorou. peguei o primeiro que passou e segui para o centro da cidade para então pegar uma outra condução.
ele. ele. ele.
no dia seguinte nos falamos pelo telefone. assistimos um espetáculo. depois fui para casa dele.
galo cantando; despertador do celular. cômodo estranho, 3 segundos, não era a minha casa; o quarto dele.
sábado, 4 de julho de 2009
breathless #8 - in memorian do Zé
Dia estranho de não conseguir fazer dizer nada de olhar para um lado olhar para o outro e ter a certeza de que falta algo mas que de certa forma tudo parece impregnado por esse mesmo algo que falta que falta todos os livros na estante todos tantos quando foi mesmo que comecei a querê-los a amá-los não lembro bem dentro de um deles encontrei um calendário hoje é dia 4 de julho quatro de julho quatro de julho mas o que tem isso independência dos Estados Unidos mas e daí e daí não é isso não é isso que quero lembrar hoje dia quatro de julho exatamente hoje faz 7 anos que não ouço a sua voz embora ela permaneça na minha memória tenho boa memória mas hoje me deu medo medo dela sua voz se perder aqui dentro algum dia mas logo passo passou esse medo sua voz não vai se calar nunca aqui dentro da minha cabeça 7 anos 7 anos tanto tempo e lembro do seu sorriso daquela conversa aquela ultima conversa no ponto do ônibus aquele sorriso não vou esquecer e que venham mais 7 anos me desafiar com seus esquecimentos é estranho estranho eu lembrar das suas mãos lembrar do seu cheiro trago muito de você comigo todas as horas que até me assusto roubei seu jeito de pensar roubei outras coisas acho que foi o melhor jeito que encontrei para te manter vivo no mundo faz tempo tanto tempo hoje eu chorei de saudade uma saudade que não cabe nessa palavra saudade e quis te tocar te contar tantas coisas tantas coisas que você não viu e que eram para ser suas tanto quanto minhas tive saudade dos nossos filhos de papel das nossas brigas das nossas pazes dos nossos silêncios te imaginei entrando por essa porta sem entender nada me imaginei te contando tudo cada detalhe de tudo que aconteceu nesse tempo e você com aquele seu ar de quem no fundo sabe me perguntei como seria agora esse agora se tudo tivesse sido diferente que outros caminhos teríamos escolhido e dormi e sonhei com você vivo com seu tênis vermelho vivo me dizendo coisas que não direi a ninguém será segredo nosso mais um de tantos quando falo de você para alguém tento fazer um desenho de como você foi mas não sei não sei por mais que me esforce tenho a impressão que as pessoas que não te conheceram não entendem não entendem assim como eu gostaria mas enfim acho que quem me gosta mesmo sem saber gosta de você você que me mostrou o caminho para aprender a ser quero dizer obrigada e sei que você riria de mim mas digo mesmo assim e saberias o quero dizer com essa palavra de 8 letras hoje quis escrever-te isso quis aqui e assim sem me preocupar muito se sairia como um verso de pé quebrado queria te dizer que aqui aqui dentro de mim tem muito de você e ainda resta muito a dizer....
terça-feira, 23 de junho de 2009
glória - 5
é, glória, nada melhor do que um café quentinho bem passado e forte para esquentar a memória. estou gostando de te ouvir. e, realmente, hoje você tá que tá. - marcelo, que estava de pé, pegou o banquinho que segurava a porta de serviço, posicionou ao lado de glória e sentou.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
glória - 4
parece até que você não pinta por aqui há um bom tempo.
sim, parece. como estou, a maneira como percebo esse agora, parece mesmo. fui invadida por um saudosismo. tenho medo de que isso seja o murmúrio de alguma coisa.
glória, sem superstições. - marcelo posicionou as duas xícaras de porcelana sobre a pia, ao lado da cafeteira, juntamente com o açúcar e o adoçante.
o aparelho soltou um ruído; a água havia passado e se transformado. o cheiro de café adentrou as narinas dos dois jovens. olharam-se.
sexta-feira, 19 de setembro de 2008
O Espelho
adaptação do conto de Machado de Assis
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Cenário:
Um auditório. Uma grande mesa com microfones. Câmera com transmissão ao vivo no Data Show. Notebook (ou dvd) conectado ao Data show para exibição do passado. Um espelho grande e quadrado.
Cena I
[ Surge uma figura grotesca, tem o rosto velado e em uma das mãos um espelho e em outra uma cesta com laranjas. Dirige-se ao púlpito entregando laranjas, é o palestrante (ator 2). Ator 1 acende o canteiro de incensos de laranja. Cantam baixinho. ]
Ator 2- [ Descascando a laranja ou brincando com a faca e a laranja. ]
Não admito réplica. Se me replicarem, vou dormir.
Em primeiro lugar, não há uma só alma, há duas... Nada menos de duas almas. Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra que olha de fora para dentro... Espantem-se à vontade. A alma exterior pode ser um espírito, um fluido, um homem, muitos homens, um objeto, uma operação.
Está claro que o ofício dessa segunda alma é transmitir a vida, como a primeira; as duas completam o homem, que é, metafisicamente falando, uma laranja [ parte a laranja ao meio. ] Quem perde uma das metades, perde naturalmente metade da existência; e casos há, não raros, em que a perda da alma exterior implica a da existência inteira. É preciso saber que a alma exterior não é sempre a mesma... [ Espremendo dentro de um copo as partes da laranja. ] Muda de natureza e de estado. [ Toma o suco. ]
Cena II
[ Blackout. ]
2- [ Subindo na mesa. Tem em mãos uma lanterna. ]
Tinha vinte e cinco anos, era pobre, e acabava de ser nomeado alferes da Guarda Nacional. Jacobina.
[ Ator 2, com o foco da lanterna, procura por Jacobina (Ator 1) que está no meio da platéia. ]
1 e 2- [Palavras soltas. ]
Provinviciano. Capitalista. Inteligente. Não sem instrução. Astuto. Cáustico.
2-
Era provinciano, capitalista, inteligente, não sem instrução, e, ao que parece, astuto e cáustico. Não discutia nunca.
1-
A discussão é a forma polida do instinto batalhador, que jaz no homem, como uma herança bestial.
[ As luzes são acendidas repentinamente. ]
Cena III
2-
Aconteceu então que a alma exterior, que era dantes o sol, o ar, o campo, os olhos das moças, mudou de natureza, e passou a ser a cortesia e os rapapés da casa, tudo o que me falava do posto, nada do que me falava do homem. O alferes eliminou o homem.
1-
No fim de três semanas, era outro, totalmente outro. Era exclusivamente alferes. Um dia recebeu a tia Marcolina uma notícia grave; uma de suas filhas, casada com um lavrador residente dali a cinco léguas, estava mal e à morte.
2- [ Foca com a lanterna o Ator 1. Posiciona o espelho de mão no rosto.]
Adeus, sobrinho! adeus, alferes!
1-
pediu ao cunhado [foca com uma lanterna o espelho do Ator 2, que reflete a luz para o público. ] que fosse com ela, e a mim que tomasse conta do sítio. Mas o certo é que fiquei só [ eco. ], com os poucos escravos da casa. [ Apagam as lanternas. Ator 2 começa a recolher as laranjas. ] Mal podia eu suspeitar a intenção secreta dos malvados. Confesso-lhes que desde logo senti uma grande opressão.
2-
Na manhã seguinte
1-
achei-me só. Os velhacos, seduzidos por outros, ou de movimento próprio, tinham resolvido fugir durante a noite; e assim fizeram. [ Som ampliado do Tic-tac do relógio. ] Achei-me só, sem mais ninguém, entre quatro paredes, diante do terreiro deserto e da roça abandonada. Nenhum fôlego humano. [Ator 2 termina de recolher as laranjas. ] Corri a casa toda, a senzala, tudo; nenhum ente humano. [ Fim do tic-tac. ] Esperei que o irmão do tio Peçanha voltasse naquele dia ou no outro, visto que tinha saído havia já trinta e seis horas.
2-
Mas a manhã
1-
passou sem vestígio dele;
2-
à tarde
1-
comecei a sentir a sensação como de pessoa que houvesse perdido toda a ação nervosa, e não tivesse consciência da ação muscular.
2-
O irmão do tio Peçanha não voltou nesse dia, nem no outro, nem em toda aquela semana.
1 e 2-
O sol abrasou a terra com uma obstinação mais cansativa.
2-
[ Som ampliado do Tic-tac do relógio. ] E então de noite!
1-
Não que a noite fosse mais silenciosa. O silêncio era o mesmo que de dia. Mas a noite era a sombra, era a solidão ainda mais estreita, ou mais larga. Ninguém, nas salas, na varanda, nos corredores, no terreiro, ninguém em parte nenhuma...
Dormindo, era outra coisa. [ Fim do tic-tac. ] O sono dava-me alívio, não pela razão comum de ser irmão da morte, mas por outra.
2-
Acho que posso explicar assim esse fenômeno:
Cena IV
[ Imagens do passado são exibidas no Data Show com a narração abaixo. Esta cena poderá ocorrer simultaneamente com a cena V. ]
Minha mãe ficou tão orgulhosa! Tão contente! Chamava-me o seu alferes. Primos e tios, foi tudo uma alegria sincera e pura. Na vila houve alguns despeitados; e o motivo não foi outro senão que o posto tinha muitos candidatos e que esses perderam. Suponho também que uma parte do desgosto foi inteiramente gratuita: nasceu da simples distinção. Em compensação, tive muitas pessoas que ficaram satisfeitas com a nomeação; e a prova é que todo o fardamento me foi dado por amigos... Vai então uma das minhas tias, D. Marcolina, viúva do Capitão Peçanha, que morava a muitas léguas da vila, num sítio escuso e solitário, desejou ver-me, e pediu que fosse ter com ela e levasse a farda, dizendo que não me soltava antes de um mês, pelo menos. E abraçava-me! Chamava-me também o seu alferes. Achava-me um rapagão bonito. Chegou a confessar que tinha inveja da moça que houvesse de ser minha mulher. E sempre alferes; era alferes para cá, alferes para lá, alferes a toda a hora Um cunhado dela, irmão do finado Peçanha, que ali morava, não me chamava de outra maneira. Era o "senhor alferes", não por gracejo, mas a sério, e à vista dos escravos, que naturalmente foram pelo mesmo caminho. Não imaginam. Se lhes disser que o entusiasmo da tia Marcolina chegou ao ponto de mandar pôr no meu quarto um grande espelho, obra rica e magnífica, que destoava do resto da casa, cuja mobília era modesta e simples...
[ A imagem é interrompida juntamente com a narração. O texto abaixo aparece projetado, ao mesmo tempo escutam-se palavras soltas. ]
Era um espelho que lhe dera a madrinha, e que esta herdara da mãe, que o comprara de uma fidalga. O espelho estava naturalmente muito velho; mas via-se-lhe ainda o ouro, comido em parte pelo tempo, grande. E foi, como digo, uma enorme fineza, porque o espelho estava na sala; era a melhor peça da casa. Mas não houve forças que a demovessem do propósito; respondia que não fazia falta, que era só por algumas semanas, e finalmente que o "senhor alferes" merecia muito mais.
Palavras soltas:
Velho. Fineza. Mais. Ouro. Forças. Melhor. Espelho. Espelho. Mãe. Espelho. Muito.
Cena V
[ A imagem transmitida no Data Show volta a ser ao vivo. ]
2-
Mas quando acordava, dia claro, esvaía-se com o sono a consciência do seu ser novo e único.
1-
Eu saía fora, a um lado e outro, a ver se descobria algum sinal de regresso.
2-
Desde que ficara só, não olhara uma só vez para o espelho. No fim de oito dias deu na veneta de olhar para o espelho.
[ Olha para a câmera sobre a televisão e recua.] Vou-me embora. [ Levanta o braço com gesto de mau humor, e ao mesmo tempo de decisão, olha para o vidro, murmura algumas palavras, tosse sem tosse, sacode a roupa com estrépito. Subitamente por uma inspiração inexplicável, por um impulso sem cálculo, olha para o espelho com uma persistência de desesperado, contempla a imagem. Veste a farda de alferes, levanta os olhos para o espelho. Ator 2 executa ações com uma parte da laranja e o espelho. ]
[ Ator 2 espalha as laranjas pela sala. ]
1 e 2 [ Narração em off. Jogo de espelho e câmera. ]
Tudo volta ao que era antes do sono. [ Ator 1 continua a se olhar no espelho, vai de um lado para outro, recua, gesticula, sorri. ] Um ente animado. Pude atravessar mais seis dias de solidão sem os sentir... Era eu mesmo, o alferes, que achava, enfim, a alma exterior.
[ Ator 1 e Ator 2 se olham, 10 segundos.]
domingo, 14 de setembro de 2008
Diálogos de abismo
sábado, 13 de setembro de 2008
Um dia de sol (cartas)
raso
qual atalho, uma curva pro caminho do sossego - mas no fundo é raso; água bate no joelho nada - não é nada nunca foi tão fácil contud...
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sabe, andei pensando que o meu amor é muito perigoso é um peito aberto que se entrega à espada lancinante do cavaleiro cravando-se ...
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acumulador de termos inauditos - objetos indiretos jogados no canto da garganta orações desarticuladas na ponta da língua se...
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tudo que é dito - posto no mundo - ecoa pra sempre mesmo quando todo mundo mudo
