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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

I

(Joana Rabelo , Marcelo Asth, Rafael Rodrigues)

Sonâmbulo passo por dentro da Lua
Olhando por baixo crateras soturnas.
Longe,
noturnas estrelas traçam Saturno.
Flutuando por fora do espaço.
Do quarto Orion.
No turno.
Rastreio cadências e decadências
no vasto de uma nebulosa que passa.
Expandindo alastro
horizontes de antes dormindo.

Rio, 8 de dezembro de 2010.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

bilhete

a rosa vermelha desabrochando
dentro de uma garrafa de vinho
no chão da sala.

cuidarei dela
até que seja renovada
num próximo encontro (ou antes).

o tempo dela é o limite
de um novo sorriso teu
aqui em casa.


domingo, 24 de outubro de 2010

Extenso Rio

aos poucos nos estendemos pela cidade:
Botafogo,
Urca,
Copa,
Lapa,
Gloria.

nosso lance se entende a cada esquina.
debaixo das marquises -
sorrindo para as câmeras de segurança.

entre beijos,
contra o vento -
as mãos ajeitando os cabelos bagunçados.

suor de tanto caminhar.
choro alegre de uma tristeza feliz -
que é o breve tempo quando estamos juntos.


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

brotarão

sobre quem ama
há que se supor
que da flor reste apenas seu espinho
das sementes espalhadas
algumas brotam, morrem
e um broto fura terra e vinga
se vinga
nasce, cresce, fura, espinha

Qual o cupido
pensarão
acerta a flecha no amante
morte, paixão
se vinga

se vinga, Aarão!
se vingarão?
se vingarão!
se vinga...


segunda-feira, 18 de outubro de 2010

de cabeça

passado o compasso da hora
para afinar o tom da resposta
recorda a introdução que arranjara
enquanto a música se arrasta
sempre é tarde demais
nunca cedo o bastante


quinta-feira, 14 de outubro de 2010

nos olhos

a gente se fala sem fala
sorriso em canto de boca
dançamos no meio da sala
- ninguém vê nada -
passado e futuro presentes
segredo a dois guardado


terça-feira, 12 de outubro de 2010

madrugada.
através dos espelhos do quarto:
olhos, pernas, mãos, costas, bocas -
múltiplos nós
num gozo atados.

madrugada.
teu cheiro em minhas mãos arrolado.

dormirei lembrando
dos afrescos que pintamos
na capela da volúpia,
entre profanações arrulhadas

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

alindar

pra Ana Cláudia Lomelino

olhos de pérola
quando a luz ofuscante
jóia brilhante
gota de orvalho
de um pensamento desatinado
sorria! sorria!


sábado, 2 de outubro de 2010

trovoada

lá fora é aqui dentro;
Sísifo empurrando as montanhas.

.o equilíbrio do ator na ponta dos pés.

face maior do mundo que sobra
e uma outra parte na boca;
pedaço da maçã envenenada.


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

de

do verde- azul o papel revelado
carta em mil pedaços desdobrada
memória que o cheiro afaga
leitura que se faz sem palavras



terça-feira, 28 de setembro de 2010

primeiro beijo

a coisa da beleza acesa por dentro.

.olhares despudorados cortando a sala em diagonal.

algumas semanas depois
deitaram a pressa na calçada
fazendo companhia lado a lábio.


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

hoje

o riacho que desliza
vira queda d'água, cachoeira
no espaço que faz margem
entre o ontem e o amanhã
a beira.



quarta-feira, 11 de novembro de 2009

sampa - rio

cheguei na hora errada
quando talvez poderia, poderia
um ombro pra chorar
um abraço apertado pra salvar da agonia

a chuva na janela
a resposta que não vem
prados verdes, volto agora
recosto minha cabeça com saudade
daquilo tudo que não fizemos depois



domingo, 16 de novembro de 2008

.desesperar.

Posso num repente
rasgar-me em dois
e ficar só
a ver navios,
e, se for necessário,
jogo as duas partes no mar
e me faço de remo contra a maré.



quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Um outro lugar

Para caminharmos juntos
Vamos, frente


Aonde se quer chegar
Possível lugar será
Eu vou

A bandeira estampada na cara
E que valha a palavra
Lei

Criança, moça, moço, avô, avó
Eu vou
Pé no asfalto, prédio alto
Peço, por favor

Que se valha da palavra
E que valha a palavra
Valha a palavra
Lei



Aonde se quer chegar
Possível lugar será
Eu vou
, eu vou


quarta-feira, 12 de novembro de 2008

.espelho d'água.

Clareia e aquece por dentro
Emitir luz, passar a
Querer o bem de todos, todos
A gente sempre retorna ao ponto de partida
e começa de novo, mas é diferente
agora outro, de novo

Alimentar-se de sol
de sais
de sol
de sais
de sol

Virar água e resplandecer
Se adaptar a qualquer forma
Bebida e espelho e purificação

Ele sabe de tudo sobre mim quanto a isso
Olha, olha, olha - parece querer
Nem diz que sim, nem que não
Eu superfície calma
No fundo correnteza brava


terça-feira, 11 de novembro de 2008

.o mundo gira.

as voltas e voltas e voltas da vida
às vezes quando desejo
e vejo impossível
eu espero
as voltas e voltas e voltas da vida

sábado, 8 de novembro de 2008

O Som da Concha

Concha que se enrola pelas vagas.
Morada de pequenos seres do mar.
É ali que quero estar, ínfimo ser.
Para lá e para cá.
Debaixo de sol e chuva, lua e chuva, estrelas.
Dentro e fora d'água.
Viver o caos.
Cheirar cheiro de maresia.
Ouvir o canto de Iemanjá.
Trovão em noites alumiadas por uma cheia Lua.
E quando não mais ainda,
continuar na dança do leva e traz.



terça-feira, 4 de novembro de 2008

Era uma casa...

pra dentro me fecho
pra fora me abro

janela, olho pro mundo
por cada parte me assumo, assombro
sou todo casa
e vontade de ser morada
sem querer por aluguel
mas como dono
quando não mais quiser
:vende-se:


raso

qual atalho, uma curva pro caminho do sossego - mas no fundo é raso; água bate no joelho nada - não é nada nunca foi tão fácil contud...