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sábado, 1 de junho de 2019

kintsugi

a mor é
es
                     ti            lha
ço
caquinho que a gente vai
catando no caminho

segunda-feira, 28 de abril de 2014

iluminação

meu corpo se contorce
range que nem cipó
entrelaçado ao corpo
da jibóia que rompe a
dura casca da fruta
espalhando as sementes
numa noite de chuva

Contra os opressores,  rosas.
Que o espinho rasgue a pele e
que a beleza da flor
vermelha seja a cura.

terça-feira, 17 de maio de 2011

mea noite; sobre a mesa o copo jaz.
através de uma fresta da janela,
a brisa acaricia e atenua
o silêncio e a solidão do rapaz.

longe a madrugada cerca e arrasta
em alto-mar as plêiades e a lua;
feito uma colcha que se abre furada -
imensa! contra luz, por cima da abra.

um copo de café e nada mais,
é tudo que se tem e que se basta
pra sustentar o tempo sobre o cais -
vigília noturna que a vista gasta.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

repouso

poucas coisas compreendemos nesse mundo
e de tudo, nada levamos -
a doce certeza do suspiro final

nossos olhos fotografam a imagem
num movimento sobressaltado

a pessoa respira um pouco mais forte
e Expira

daí em diante quem aqui fica
vê na face alheia um adeus
um até breve
um vá com Deus
seja lá o que mais


terça-feira, 19 de abril de 2011

desvelamento

as gavetas todas vazias,
nenhuma partícula de pó
como se não tivesse sido feita
ainda é árvore, a madeira.

sem segurança pra guardar o segredo,
qualquer guarda pro que se vele.

o sussurro silencioso dentro do ouvido
nada diz e cala.
mesmo pronta a palavra não fala;
a língua almeja lapidá-la:

protege-se rabiscando o papel –
o mistério da letra é carretel
na dobra da fazenda costurada
a idéia que tenta, então revelada.


segunda-feira, 18 de abril de 2011

sobre o amor

É preciso habitar a solidão -
ver o relevo das crises sanadas;
fundo escavar na razão as camadas,
volvendo toda a poeira do chão.

É preciso habitar a solidão -
banhar-se nas águas do mesmo rio;
sentir toda a resistência do frio,
cortando com os pés o turbilhão.

Pode então esse amor tornar-se vão
quando não só a ferro e fogo queima?
Contudo, pode contra tudo e teima
só sendo, encantamento e construção.


quarta-feira, 13 de abril de 2011

Tsunami

Praguejo seu nome pelas esquinas -
são quintas de inverno em pleno verão.
Terremotos que modificam o eixo
da Terra, aumentando os turnos dos dias.

discos e livros; espelhos partidos -
tudo que sobra, já não mais ressoa
dentro do tom desta canção cansada
perdida pelos cômodos vazios.

que ainda resta de felicidade -
arrebentação; seu sorriso largo,
onde posso ancorar o meu barco
contra elevadas vagas de paixão


quarta-feira, 6 de abril de 2011

os três anões do bosque - a menina boa

como a Midas ocorrera -
quando tudo que tocava
tivesse que ao ouro tornar;
cada palavra pensada
em moeda de ouro luzia
assim que a ideia virava.
da sorte, açoite:
por um bem
pode ter
mal sido paga.



quinta-feira, 24 de março de 2011

revirada forma afama
a colcha por sobre a cama -
quando a luz do dia atesta
a noite de amor em festa.

quarta-feira, 23 de março de 2011

mistério

pr'outro lado me descubro;
sair pra fora da vida-
do livro, a página finda:
morrer é puro descuido.


sexta-feira, 30 de abril de 2010

janela fechada

a chuva lá fora só piora a tristeza;
escorre as lágrimas pelas ruas,
alaga a cidade inteira.


quarta-feira, 28 de abril de 2010

prumo

Camisa listrada pendurada no varal.
Bolso vazio no peito esquerdo;
camisa de adulto.
Mesmo ainda não cabendo no menino,
deverá vesti-la
cuidando para que caia bem em seu corpo franzino.



segunda-feira, 15 de junho de 2009

sampa play

p/ P. B.

não me olhe assim
por mais de 30 segundos
eu gelo, congelo, endureço
olho no olho
olho pra boca
há muito tempo
que quero
que gosto
s'eu não puder ter
não me faça querer
então não me olhe.



sexta-feira, 12 de junho de 2009

carteira de trabalho

quando mais novo me dizia poeta

virei homem de barba grossa e perdi essa pretensão

já me disse pintor, escultor, bailarino e cantor

GiravaM

cada expressão num determinado tempo

GiravaM

hoje, com a carteira de trabalho,

me di go

ator


quarta-feira, 20 de maio de 2009

sonho

p/ e. f. z.

vou virar marinheiro,
enfrentando mares pra poder te achar.
ou piloto de avião, soldado em caça;
furando nuvens a te procurar.
posso também ir caminhando
- mesmo que demore anos.

faria de tudo
pra suprir o meu desejo (louco)
de te tocar.



vigília

é de café
o amargor que corta a língua.
a sala de uma brancura luz -
silêncio.
os livros empoeirados
na estante empoeirada,
todos os móveis e demais objetos,
todos empoeirados.

inesperadamente esperado -
viu a foto,
o rosto sem sorriso
naquele que há muito não via.
a imagem agora poderia ser recuperada,
mas os fatos, o ocorrido
não correspondia a esse momento, a esse dia;
sete anos depois.



Mistérios

(Joyce/ Maurício Maestro)

Você chegou feito um silêncio
Pra seduzir minha canção
Feito uma folha na correnteza
Feito um vento varrendo o chão

Você chegou feito um mistério
Pra confundir minha visão
Feito um presente da natureza
Quem mandou, coração?

Um fogo queimou dentro de mim
Que não tem mais jeito de se apagar
Nem mesmo com toda água do mar
Preciso aprender os mistérios do fogo
Pra te incendiar

Um rio passou dentro de mim
Que eu não tive jeito de atravessar
Preciso um navio pra me levar
Preciso aprender os mistérios do rio
Pra te navegar

Vida breve, natureza
Quem mandou, coração?
Um vento bateu dentro de mim
Que eu não tive jeito de segurar
A vida passou pra me carregar
Preciso aprender os mistérios do mundo
Pra te ensinar

disco: Revendo Amigos (1994)




segunda-feira, 18 de maio de 2009

raso

qual atalho, uma curva pro caminho do sossego - mas no fundo é raso; água bate no joelho nada - não é nada nunca foi tão fácil contud...